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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Parem de censurar a maternidade

Uma discussão que não é nova mas que mostra novas faces sempre é o tanto de censura que coisas normais da vida e do corpo sofrem. Estrias, cicatrizes, pelos, poros, tudo isso é motivo de vergonha e, de insumo normal do corpo, virou coisa a ser escondida ou arrancada o quanto antes.

Disso tudo, saímos nós, cada vez mais constrangidas de ser quem somos, tentando encontrar nossa versão mais plástica possível pra não incomodar ninguém. Aí, a gente fica na expectativa pra ver o limite de tudo isso, pra ver até que ponto ser humano normal, ou ainda ser mulher normal, vai ser considerado feiúra e desleixo. Até onde vai, eu não sei, mas sei que ser mãe tá considerado cada vez mais antiestético por aqui.



Se você é da família real (como me incomoda a valorização desse título em pleno 2013) acabou de parir e apareceu numa foto maquiada, bem vestida mas com sinais de inchaço na barriga (porque, oi, tinha outra pessoa lá dentro e o corpo precisa se adaptar) falam mal de você. Agora, imagina você, uma mulher como qualquer uma de nós, engordando, com peitos que mal contêm o leite, vendo estrias surgirem, vendo o corpo mudar, percebendo que tá passando por mudanças difíceis que, mesmo em nome de algo maior, continuam sendo difíceis.



Imagine como se sente essa mulher vendo as críticas a um simples inchaço que, perto do que ela tá passando, é nada. Imagine essa mulher da vida real dois, três, quatro meses após dar à luz, quando a maior ambição que ela se dá é poder dormir algumas horas sem interrupção. Quando ela é responsável por produzir o alimento do filho e, mesmo com a divisão das tarefas com o pai do bebê (assim, assim, já que a licença paternidade não dura nem o tempo de cicatrizar os pontos do parto), ainda luta tanto o dia todo, que mal tem tempo de se olhar no espelho.

Agora pense que essa mulher pode passar pelo momento de renovação, descobertas e magia, que é ter um filho sem se dar conta de tudo isso, de tão pressionada e constrangida por não aparecer por aí impecável como uma duquesa. É difícil. E não estamos ajudando a nós mesmas legitimando essas expectativas irreais. A gente precisa de apoio pra olhar pra si mesma com mais carinho, mais aceitação.
 

Isso é o que faz do The 4th Trimester Bodies Project algo tão massa. Nele, a fotógrafa - e mãe - Ashlee Wells Jackson percorre os Estados Unidos mostrando mães de bebês com seu corpo, suas marcas e sua alegria à mostra. O lema do projeto que vai virar livro no futuro é "Parem de censurar a maternidade" e se propõe a mostrar por aí, principalmente nas redes sociais, que a beleza da maternidade vai além da "perfeição" plástica que a gente se acostumou a admirar. 

Todas as fotos do post são do projeto e espero que elas tenham deixado o dia de vocês mais bonito - e a mente mais livre - como deixou o meu.