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terça-feira, 5 de novembro de 2013

a polemica das modelos plus size

As modelos plus size por muitos anos foram excluídas de qualquer tipo de publicação impressa de grande alcance e influência no mundo da moda. Hoje, ainda estão relegadas a editoriais feitos exclusivamente para o público GG, ou seja, estampam uma ou outra seção especial que as revistas fazem para atender esse nicho tão grande e poderoso de consumidoras acima do peso.
Mas, no Brasil, onde 51% da população está com sobrepeso, e diferentemente de outros países, nunca se viu uma modelo plus size estampar a capa de nenhuma revista de moda como, por exemplo, a Elle Espanha que trás este mês a top plus Tara Lynn ou mesmo a polêmica capa da Elle americana com a atriz Melissa McCarthy. Leitores indignados abarrotaram as redes sociais questionando porque emagreceram McCarthy com photoshop e qual o motivo dela estar com roupas tão largas e que escondem tanto o seu corpo.
As duras críticas a modelos muito magras fizeram com que fosse aberto espaço para as mulheres curvilíneas em suas edições. Em Israel, por exemplo, é proibido o uso de modelos muito magras nos desfiles, assim como no Fashion Week Madrid, Milão e Inglaterra. Mas ainda há muita mulher acima do peso questionando sobre o tamanho das modelos que as representam nas campanhas de publicidade, especificamente as de moda, porque em outros mercados o modelo gordo é muito pouco utilizado, e geralmente quando é, é para encenar papel que o ridiculariza.
É que normalmente as modelos plus size que estampam as campanhas vestem entre o 44 e o 48. Raríssimas exceções utilizam mulheres que vestem acima desses números. As reclamações são bastante contundentes e tomam conta das redes sociais com debates onde as mulheres que vestem acima do nº 50 reclamam que não se sentem representadas por modelos tão menos gordas e sem barriga. Por outro lado, existe uma força que afirma que não dá para utilizar mulheres com manequim cima do número 50 porque as roupas não cairiam tão bem e as campanhas não ficariam bonitas.
Parece existir uma contradição. Se as grifes querem vender e em suas grades existem, na maioria delas, do manequim 44 ao 60, como afirmar que as roupas que elas vendem não teriam caimento em modelos maiores?Isso é quase um depoimento em desfavor das peças que produzem. Utilizar apenas modelos menores afasta o público consumidor maior. Talvez esteja faltando investirem em campanhas bem produzidas e escolherem melhor as modelos maiores, porque está cheio de mulheres que vestem mais de 52 bonitas e muito bem cuidadas.
Na última semana dois assuntos relacionados ao tamanho das modelos foram alvos de discussões fervorosas nas redes sociais. Um deles foi a primeira semana de moda "Plus Size de Paris" que trouxe um casting de modelos de diversos manequins desfilando moda convencional e lingerie. Acostumados a vermos, até mesmo em desfiles plus size, modelos GG menores nesses desfiles, as imperfeições dos corpos das modelos trouxe à tona o questionamento sobre qual padrão seria favorável para as modelos plus size. Porém, não faz sentido se criar um padrão para desconstruir outro. O desfile causou discussões pelas redes sociais, gerando alguns comentários desfavoráveis ao mesmo tempo em que se percebia também a alegria e regozijo de milhares de mulheres de se verem representadas por modelos perfeitamente normais e reais nas passarelas da Capital da Moda.
O outro assunto que rendeu debates foi uma suposta declaração da modelo e apresentadora do reality show “Esquadrão da Moda”, Isabella Fiorentino, dizendo ser ilusão acreditarmos que a indústria da magreza termine e que é contra as modelos plus size. Mesmo a modelo declarando em seu Twitter que editaram de forma maldosa suas palavras e que jamais disse ser contra as modelos plus size, é bom termos esperança de que essa indústria que faz com que milhares de meninas se sintam feias, desengonçadas e sem autoestima, pode ter seus dias contados, sim! Claro que é preciso haver uma renovação até mesmo nas escolas de moda atentando para o desenvolvimento de designs que favoreçam as mulheres maiores, mas até mesmo 19 editores de edições da poderosa Vogue assinaram um pacto para estampar em suas páginas modelos com aspectos mais saudáveis.
Querendo ou não os tempos estão mudando. Embora exista uma pressão muito grande para as pessoas emagrecerem, e nós gordos sermos sempre associados ao ridículo, não dá mais para tratar os que têm sobrepeso como se não tivessem papel fundamental na sociedade e na sociedade de consumo. E essa sociedade só vai começar a nos enxergar como pessoas como qualquer outra a partir de ações que nos tratem como pessoas normais, descaracterizando assim os modelos estereotipados a que somos submetidos.
E é bem provável que foi isso que as diversas marcas que desfilaram no “Pulp Fashion Week” na primeira semana de moda "Plus Size de Paris" pensaram. Porque estrias, celulites e gorduras fazem parte da vida de quase todos, mas respeito só faz parte da vida daqueles que conseguem enxergar os próprios defeitos.